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PARTE I
HISTÓRIA DA FILOSOFIA CHINESA

Chan Wing-tsit
 
A Filosofia chinesa é uma sinfonia intelectual em três movimentos: o primeiro, do VI ao II século a.C., foi essencialmente um período de desenvolvimento dos três maiores temas - Confucionismo, Taoísmo e Moísmo -, e dos quatro menores - Sofismo, Neomoísmo, Legalismo e Interacionismo yin yang - todos com os seus contrastes e harmonias, com o acompanhamento das outras "Cem Escolas", O segundo movimento foi caracterizado pela mistura de diferentes motivos que se resolveram no acorde dominante da Filosofia chinesa medieval, ao passo que a nota do Budismo foi introduzida da Índia para dar-lhe o efeito de contraponto, No terceiro movímento, o mais longo de todos, do século XI aos dias atuais, as notas características da Filosofia chinesa foram sintetizadas para transformar o acorde persistente do Confucionismo na longa e excepcional melodia que é o Neoconfucionismo.
A analogia sugere imediatamente que há consonância, bem como dissonância, entre os principais sistemas do pensamento chinês, fato significativo e digno de nota, especialmente no caso das escolas antigas. A oposição entre o Confucionismo humanístico e o Taoísmo é, à prìmeira vista, quase inconciliável. Todavia, qualquer distinção completa inevitavelmente dístorce o quadro. O Taoísmo prímítívo está maís próxímo do Confucionismo do que geralmente se entende, principalmente ero sua filosofia de vida. Contrariamente à crença popular de que Lao-Tsé ensinou . a renúncia à vida e à sociedade, sua doutrina ética estava mais ligada à de Confúcio, o experiente conhecedor do mundo, do que à do Hinduísmo ou do Budismo. Esta opinião não é nova nem pessoal, mas uma opinião geral entre os historiadores nativos da Filosofia chinesa. Tanto 0 Dr. Hu Shih, em seu The Devetopment ot the Logical Method in Ancient China, como o Professor Fung Yu-lan, em sua The History of Chinese Philosophy, interpretaram Lao-Tsé de maneira bem diferente daquela a que o Ocidente está acostumado. O principal interesse do Taoísmo e do Confucionismo é a vida, com a diferença principal de que, no Taoísmo, a preservação da vída vem de seguir-se a Natureza, ao passo que no Confucionismo a realização da vida vem com o pleno desenvolvimento do homem.
 
CONFUCIONISMO PRIMITIVO: CONFÚCIO, MÊNCIO, HSUN TSÉ E O "CHUNG YUNG"
 
O movimento do humanismo começou com Confúcio (551-479 a.C.), ganhou impulso com Mêncio e Hsün Tsé, e finalmente alcançou o clímax no Neoconfucionismo. E uma história de mais de dois mil anos, a históaia da vida e do pensamento chineses. Desde a época de Confúcio até os dias atuais, a principal inspiração espiritual e moral dos chineses tem sido o ditado confuciano "E o homem que engrandece a verdade, e não a verdade que engrandece o homem".
Dizer que Confúcio era humanístico não é negar que o sábio mostrou razoável interesse pela religião. Confúcio foi, por um lado, um reformador, um pioneiro da educação universal, para todos os que quisessem vir e para pessoas de todas as classes, um homem que viajou catorze anos por muitos Estados em busca de uma oportunidade para servir os governantes, a fim de que a Ordem Moral (tao, o Cominho) pudesse prevalecer. Era, por outro lado, um conformista, um homem "fiel aos antigos e que os amava", um homem que tentou preservar a doutrina de Chou, da qual era parte integrante o culto do Céu e dos antepassados. Conseqüentemente, disse que "O homem superior teme ( . . . ) os decretos do Céu. Acreditava que "Se deve prevalecer a Lei Moral, é porque esse é o mandamento do Céu". Ele próprio oferecia sacrifícios aos seus antepassados e "tinha a sensação de que eles estavam realmente presentes", dizendo: "Se eu não estiver presente ao sacrifício, será o mesmo que não fazer sacrifício." Não obstante, pôs francamente o bem-estar dos homens à frente da religião. Sua relutância em discutir o Céu levou seus alunos a dizerem que sua concepção do Céu "não podia ser ouvida". "Nunca discutia fenômenos estranhos, explorações físicas, desordens ou espíritos."  Quando um aluno Ihe perguntava sobre o ato ou a maneira de servir os espíritos e sobre a morte, respondia: "Ainda não sabemos servir os homens; como podemos saber servir os espíritos?... Ainda nada sabemos da vida; como podemos saber alguma coisa sobre a morte?"
Por estas amostras, é evidente que Confúcio era um humanista mesmo em matérias religiosas; não era um sacerdote muito menos fundador da religião que tinha o seu nome. O Homem, somente o Homem, ocupava sua atenção primeira. E o que se pode ver na seguinte passagem, que é todo o seu sistema em poucas palavras:
"Os antigos que desejavam tornar manifesto o caráter claro dos povos do mundo empenhavam-se primeiramente em ordenar sua vida nacional. Os que desejavam ordenar sua vida nacional empenhavam-se primeiro em regular sua vida familiar. Os que desejavam regular sua vida familiar empenhavam-se primeiro em cultivar sua vida pessoal. Os que desejavam cultivar sua vida pessoal empenhavam-se primeiro em põr seu coração no caminho certo. Os que desejavam pôr seu coração no caminho certo empenhavam-se primeiro em tornar sinceras suas vontades. Os que desejavam tornar sinceras suas vontades empenhavam-se primeiro em ampliar seu conhecimento. A ampliação do conhecimento depende da investigação das coisas. Quando as coisas são investigadas, o conhecimento então se amplia, a vontade então se torna sincera; quando a vontade é sincera, o coração então se põe no caminho certo; quando o coração está no caminho certo, a vida pessoal é então cultivada; quando a vida pessoal é cultivada, a vida familiar então é regulada; quando a vida familiar é regulada então a vida nacional está ordenada; e quando a vida nacional está ordenada, então há paz no mundo."
Trata-se de um programa abrangente que pode, porém, ser resumido numa palavra, isto é, jên, ou verdadeira natureza humana. Esta é a idéia central do sistema confuciano, em torno da qual todo o movimento confuciano se desenvolveu. Confúcio nem definiu nem analisou o jên. Está até registrado no Lun Yü (Os Analectos) que ele "raramente" falava dele. Embora 55 entre os 498 capítulos dos Lun Yü sejam dedicados à discussão da verdadeira natureza humana, o Mestre considerava o assunto com tal seriedade que dava a impressão de raramente haver discutido o tema.
A afirmação mais próxima da definição de jên é que ele "consiste em dominar-se e em restabelecer a ordem moral (Li)". Isto praticamente equivale a toda a filosofia confuciana, já que o jên, assim definido envolve a realização do eu e a criação de uma ordem social. Especificamente, a verdadeira natureza humana consiste em "ser respeitoso ao lidar consigo mesmo, ser sério ao ocupar-se de negócios e ser leal nas relações com as pessoas". Um homem de caráter "forte, resoluto, simples e modesto" está "perto" da verdadeira natureza humana. Além disso, "Quem pode praticar cinco coisas onde quer que esteja é um homem verdadeiro... a saber: seriedade, liberalidade, lealdade, diligência e generosidade."  "O verdadeiro homem", disse Confúcio, "que deseje determinar a natureza de seu próprio caráter, também procura determinar a natureza do caráter dos outros. Desejando ter êxito também procura ajudar os outros a ter êxito." Em uma palavra, ser um homem verdadeiro é "amar todos os homens".

Tal homem verdadeiro é o que Confúcio chamou o "homem superior", que é a combinação do "homem bom que não tem tristezas, o homem sábio que não tem perplexidades e o homem corajoso que não tem medo".  Faz da honestidade "a substância do seu ser", da correção "a base da sua conduta", da modéstia seu "ponto de partida" e da honestidade seu "alvo". Ele "se refreia em matéria de sexo quando seu sangue e sua força vitais são fortes. Quando alcança a maturidade e seu sangue e sua força vital estão cheios de vigor, refreia-se em questões de luta. Quando alcança a velhice e seu sangue e força vital já enfraqueceram, refreia-se em questões de aquisição". Ele visa a nove coisas. "No uso dos olhos, seu objetivo é ver claramente. No uso dos ouvidos, seu objetrvo é escutar distintamente. Na expressão, seu objetivo é ser afável. Quanto às maneiras, seu objetivo é ser respeitoso. Na fala, seu objetivo é ser sincero. Nos negócios, seu objetivo é ser sério. Na dúvida, procura esclarecimento. Quando tem raiva, pensa nas conseqüências. Diante do lucro pensa na integridade." Nada faz contrário ao princípio do decoro, quer ser lento no falar mas diligente no agir, e pensa na vadade em vez de no lucro. Desfruta o prazer derivado da devida ordenação de rituais e música, dos comentários sobre os merecimentos dos outros e da amizade com muitos homens virtuosos. Renunciaria à riqueza e aos altos cargos, mas suportaria a pobreza e as posições mesquinhas em nome dos princípios morais. Não faz aos outros o que não quer que outros lhe façam, "retribui o mal com a justiça (probidade) e retribui a bondade com a bondade".  Pratica a lealdade filial com os pais, ao ponto de nunca desobedecer, mas aderindo estritamente ao princípio do decoro; serve aos pais quando estão vivos, enterrando-os e sacrificando em sua honra quando estão mortos. É respeitoso com os superiores. Em resumo, é um homem perfeito.
Esta ênfase no humanismo é suprema em Confúcio. Subjaz a todas as suas doutrinas políticas, educacionais, estéticas e até lógicas. As pessoas devem ser governadas pelos bons exemplos dos governantes, guiadas pela virtude e reguladas pelos princípios do decoro, e o objetivo do governo é dar riqueza e instrução ao povo e segurança ao Estado. O conhecimento é "conhecer os homens". O homem superior "estuda a fim de aplicar seus princípios morais". Os poemas são "para estimular nossas emoções, alargar vosso campo de observação, ampliar vosso companheirismo e expressar-vos os ressentimentos". Ajudam-vos nos deveres imediatos para com vossos pais e nos deveres mais remotos para com vosso governante. Aumentam vossa familiaridade com os nomes dos pássaros, dos animais e das plantas."' Mesmo a "retificação dos nomes", a abordagem confuciana que mais se aproxima da Lógica, deve ser conduzida segundo diretrizes humanistas. Por exemplo, a música não significa apenas sinos e tambores,41 pois os nomes, quando retificados, têm um quê de prático. Assim, retificar nomes num Estado significa "o governante ser um governante, o ministro ser um ministro, o pai ser um pai, e o filho ser um fílho".
Este humanismo é completo, mas qual é seu fundamento lógico? Confúcio disse que "há um princípio central que perscorre toda a minha doutrina". Tal princípio central é geralmente aceito como significando "nada que não seja a fidelidade a si mesmo e à reciprocidade." Se semelhante interpretação é correta, então somos forçados a concluir que o fundamento do sistema confuciano está no reino moral, isto é, na experiência humana mesma. O princípio é também, em geral, tido como idêntico à doutrina confuciana da Harmonia Central (chung yung, o áureo meio). De fato, essa doutrina é de suprema importância na Filosofia chinesa; é, não apenas a espinha dorsal do Confucionismo, tanto antigo como rooderno, mas também da Filosofia chinesa como um todo. Confúcio disse que "encontrar a pista central (shung) do nosso ser moral e ser harmonioso (yung) com o universo" é a suprema realização da nossa vida moral. Isto parece implicar que Confúcio tinha como fundamento da sua ética algo psicolcígico ou metatísico, porém este aspecto só foi desenvolvido dois séculos mais tarde. Para Confúcio chung yung por certo significaVa o áureo meio, como o indica o ditado "Ir longe demais é o mesmo que não ir longe o bastante." O fundamento psicológico deve ser proporcionado por Mêncio e por Hsün Tsé, e o metafísico pelo livro conhecido como o Chung Yung (ou A Doutrina do Meio).
Confúcio interessava-se principalmente por um mundo prático e, portanto, ensinava-nos a fazer o bem sem entrar no problema de por que devemos fazer o bem. Para Mêncio (371-289 a.C.), entretanto, fazemos o bem, não apenas porque devemos, mas porque temos que, pois "A natureza humana segue o bem da mesma forma como a água procura o nível mais baixo." "Se os homens se tornam maus, não é culpa do seu dom natural." Todos os homens têm, originariamente, o sentimento da misericórdia, o sentimento da vergonha, o sentimento do respeito e o sentimento do bem e do mal, e são estes os que chamamos de "quatro princípios fundamentais da benevolência, da honestidade, do decoro e da sabedoria". Esta consciência moral está enraizada no coração de um homem perfeito, o que pode ser demonstrado pelos fatos de que todas as crianças sabem amar seus pais e de que, quando os homens de repente vêem uma criança prestes a cair num poço, inevitavelmente surge no coração deles um sentimento de misericórdia e de alarma.
Este sentiménto inato do bem é uma "capacidade ingênita", que possuímos sem necessidade de aprender, e é também "conhecimento ingênito", que possuímos sem necessidade de pensamento. Assim, "todas as coisas já estão completas no eu. Não há maior delícia do que voltar ao eu com sinceridade". Porque a "sinceridade é o caminho do Céu, ao passo que pensar em como ser sincero é o caminho do Homem". O princípio diretor da conduta humana é, portanto, "o pleno exercício da mente". "Exercitar plenamente nossas mentes é conhecer nossa natureza, e conhecer nossa natureza é conhecer o Céu. Preservar nosso espírito e nutrir nossa natureza é o meio de servir ao Céu. Manter a singeleza de espírito, quer soframos morte prematura quer tenhamos vida longa, e cultivar nosso caráter pessoal e deixar que as coisas sigam seu curso são os meios de talhar nosso destino." Assim, os pré-requisitos de uma ordem moral harmoniosa estão completos dentro de nós. Em vez de olhar para a Natureza a fim de nos conhecermos, olhamos dentro de nós a fim de conhecer a Natureza. Não temos sequer que olhar para o sábio, pois ele "pertence à mesma espécie que nós". A chave para a centralidade e a harmonia do universo, assim como para nós mesmos, não deve, portanto, ser buscada longe. Está dentro da nossa natureza. Desenvolver nossa natureza é realizar as virtudes a ela intrínsecas, que Mêncio primeiro reduziu aos "quatro princípios fundamentais", e mais adiante à benevolência, que é a "mente do Homem", e à integridade, que é o "caminho do homem". Aquela é a base ética da sociedade, ao passo que esta é o fundamento da política. O termo "benevolência" (jên) deve ser entendido em seu significado mais fundamental de verdadeira natureza humana, pois Jên é aquilo que faz de um homem um homem. Falando de modo geral, é o "princípio moral." O homem moral nada faz que não esteja de acordo com a verdadeira natureza humana. De fato ele ama todos os homens. A demonstração mais natural da verdadeira natureza humana "é a lealdade aos pais", que para Mêncio era a maior de todas as virtudes. "De todas as coisas que um tilha com verdadeira virtude filial pode alcançar, não há nada mais grandioso do que honrar seus pais." A devoção filial, então é o fundamento das cinco relações humanas. "Entre pai e filho, deve haver afeição; entre soberano e ministro, honestidade; entre marido e mulher, consideração pelas suas funções distintas; entre velhos e jovens, uma ordem apropriada; e entre amigos, fidelidade." Quando tais qualidades estiverem demonstradas, prevalecerá uma ordem social harmoniosa.
Essa tentativa de proporcionar um fundamento psicológico ao humanismo é um desenvolvimento significativo na escola confuciana, não apenas porque representa um grande avanço, mas também porque exerceu influência em toda a escola do Neoconfucionismo, principalmente do século IV até os dias atuais.
O desenvolvimento psicológico em Hsün-Tsé (aproximadamente 355-apr. 288 a.C.) seguiu, entretanto, quase direção oposta. Não que o espírito humanista nele seja mais fraco; ao contrário, é muito mais forte. A Lei Moral (Tao) "não é o caminho do Céu, nem o caminho da Terra mas o caminho seguido pelo Homem, o caminho seguido pelo homem superior" e, mais especificamente, "Tao é o modo de dirigir um Estado", ou, em outras palavras, "organizar o povo". Por conseguinte, ele defendia vigorosamente o controle da Natureza:

Vós glorificais a Natureza e meditais sobre ela:
Por que não a amansais e não a regulais?
Vós obedeceis à Natureza e cantais em seu lonvor:
Por que não controlar seu cutso e usá-lo?
Vós contemplais as estações com reverência e as aguardais:
Por que não respondeis a elas com atividades sazonais?
Vós dependeis das coisas e vos maravilhais diante delas:
Por que não desenvolver vossa própria capacidade e transformá-las?
Vós meditais sobre o que torna uma coisa uma coisa:
Por que não ordenar as coisas de modo a não desperdiçá-las?
Vós buscais em vão a causa das coisas:
Por que não usufruir e ampliar-se do que elas produzem?
Portanto, digo: desdenhar o homem e especular sobre a Natureza
é mal compreender os fatos do Universo.

Hsün-Tsé acreditava necessário o domínio da Natureza porque achava que a natureza humana é muito diferente da descrição que dela fazia Mêncio. Para Hün-Tsé, "A Natureza do Homem é má; sua bondade é adquirida (pelo treinamento)." O móvel aqui foi, obviamente, dar ênfase à educação, ênfase que o tornou o principal filósofo da educação na China antiga. Como a natureza original do Homem é má, ele "precisa passar pela instrução de professores e leis". Assim, a virtude não é inata, mas deve ser "acumulada", da mesma forma como as montanhas são formadas por acumulação de terra. O princípio diretor da acumulação para o indivíduo é o li ou decoro, para a sociedade é a "retificação de nomes", e para o governo é "a modelagem de acordo com os reis sábios dos últimos dias". Quando a 'virtude é "acumulada" a um grau suficiente, o Homem pode, então, "formar uma tríade com o Céu e a Terra".
Pelo fim do século IV a.C., o Confucionismo deu mais um passo à frente. Houve uma tentativa de proporcionar um fundamento metafísico para o seu humanismo, como podemos ver pelo livro chamado Chung Yung ou A Doutrina do Meio.
De acordo com esse livro, nosso eu central ou nosso ser moral é concebido como "a grande base da vida", e a harmonia ou a ordem moral é "a lei universal do mundo. Quando o nosso cerdadeiro eu e harmonia centrais são realizados, o universo então se torna um cosmos e todas as coisas alcançam seu pleno crescimento e desenvolvimento". Assim, "a vida do homem moral é uma exemplificação da ordem moral universal". O Chung Yung declara além disso que ser fiel a si mesmo (ch'êng, sinceridade) é "a lei do Céu" e tentar ser fiel a si mesmo é "a lei do Homem". Esta verdade é "absoluta", "índestrutível", "eterna", "auto-existente", "ínfínita", "vasta e profunda", "transcendental e inteligente". Contém e abarca toda a existência; cumpre e aperfeiçoa toda a existência. "Sendo esta a natureza da verdade absoluta, manifesta-se sem ser vista; produz efeitos sem movimento; atinge seus objetivos sem ação." Apenas aqueles que são "seus absolutos eus verdadeiros" podem "realizar sua própria natureza", podem "realizar a natureza dos outros", podem "realizar a natureza das coisas", podem "ajudar a Mãe Natureza a cultivar a vida", e podem ser "os iguais do Céu e da Terra". Não se sabe até que ponto foi original esta tendência metafísica em Confúcio, mas tornou-se ela um fator extremamente significativo no Confucionismo posterior, especialmente no Neoconfucionismo dos séculos XI e XV.

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Ercole Gonaza (1530) Mantova - Itália